Narratividades médicas:

Como produzir fugas e/ou rasgos na medicalização da infância e na medicalização da adolescência?

Autores

Palavras-chave:

Narrativas, Medicalização, Infância, Adolescência, Educação especial, Saúde mental

Resumo

Neste artigo as narratividades médicas e biomédicas, que produzem a medicalização da infância e da adolescência, são problematizadas a partir do campo da educação. Nos perguntamos sobre como produzir fugas e/ou rasgos na medicalização da infância e da adolescência. Esquadrinhamos narrativas, para fins de análise, encaramos as narratividades, o ato, o enunciado, o dito, os diagnósticos, os relatos, o que se produz na escola e na saúde, na contemporaneidade. Tais argumentos e demonstrações não resguardam os trabalhadores da educação, tampouco os trabalhadores da saúde, justamente por investir no diálogo como possibilidade para desconstrução de diagnósticos, de atitudes e de processos excludentes. As narrativas que confrontam a medicalização são colocadas em destaque, como possibilidades para o cuidado de crianças a criançar e adolescentes a adolescer. Narrar é repensar o cuidado coletivamente. Narrar, se em espaços seguros, como composição e como saúde [educação especial, saúde mental].

Biografia do Autor

Daniele Noal Gai, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Graduada em Educação Especial com Especialização em Educação Especial (UFSM), é Mestre em Educação (UFSM e UFRGS) e Doutora em Educação (UFRGS). No momento atua na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) como Professora Adjunta da Faculdade de Educação
(FACED)

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Publicado

2021-11-22

Como Citar

GAI, D. N. Narratividades médicas: : Como produzir fugas e/ou rasgos na medicalização da infância e na medicalização da adolescência?. Cadernos de Ensino e Pesquisa em Saúde, v. 1, n. 01, p. 106-126, 22 nov. 2021.

Edição

Seção

Diálogo com a Sociedade