Falência aguda da pele em paciente acometido por Sars-CoV-2 durante a pandemia de Covid-19
Relato de Caso
Palavras-chave:
lesão por pressão, pele, cuidados de enfermagem, unidades de terapia intensiva, COVID-19Resumo
Introdução: A falência aguda da pele é descrita como dano à pele decorrente da instabilidade clínica e hemodinâmica que levam à hipóxia tecidual, podendo acometer proeminências ósseas ou outras regiões do corpo. Objetivo: Relatar caso de paciente grave acometido por Sars-CoV-2 que evoluiu para um quadro grave, desenvolvendo falência aguda da pele, durante a pandemia de COVID-19. Método: Estudo observacional do tipo relato de caso, acompanhado pelo grupo de pele do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Os dados foram coletados do prontuário eletrônico do paciente no mês de abril de 2022. Resultado: Paciente masculino, 56 anos, história prévia de obesidade, Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica. Interna por PCR positivo para Covid-19 que evolui para insuficiência respiratória pulmonar aguda e Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) grave. No decorrer da internação apresentou lesão por pressão (LP) estágio II interglútea, inicialmente tratada com Ácido Graxo Essencial (AGE) e gel hidroativo quando apresentava necrose de coagulação. Quinze dias após o início do tratamento, foram realizados dois desbridamentos instrumentais e iniciou-se a aplicação de papaína 10%. Decorridos 36 dias de internação, apresentava áreas com necrose de coagulação e liquefação, sendo mantida a conduta, exceto em áreas sem necrose, na qual aplicou-se AGE. O paciente teve alta hospitalar e durante cinco (05) meses seguiu em acompanhamento ambulatorial com enfermeiras estomaterapeutas. As primeiras consultas foram realizadas de forma semanal, sendo utilizada papaína 10% para fins de desbridamento, progredindo posteriormente para o uso de alginato de cálcio e sódio para preenchimento da cavidade. Ao final do tratamento, as consultas foram mantidas quinzenalmente, sendo utilizado AGE em gazes umedecidas até o processo de epitelização total. Conclusão: Pacientes acometidos pela COVID-19 que evoluem para um quadro grave, desenvolvem disfunções múltiplas nos órgãos. A falência aguda da pele é uma das consequências da instabilidade clínica ocasionada pela hipoperfusão tecidual. Frente a isto, evidencia-se a necessidade de prevenção de lesões e da avaliação por parte do enfermeiro, de modo a qualificar a assistência, reduzir custos e tempo de internação, assim como infecções decorrentes da ferida.
Referências
European Pressure Ulcer Advisory Panel, National Pressure Injury Advisory Panel, Pan Pacific. Pressure Injury Alliance. Prevention and treatment of pressure ulcers/injuries: Clinical Practice Guideline EPUAP/NPIAP/PPPIAP; 2019. Available from: https://www.cvph.org/data/files/NPIAP%202019.pdf.
RAMALHO, A. O.; SANTOS ROSA, T. .; LÚCIA CONCEIÇÃO DE GOUVEIA SANTOS, V.; CRISTINA NOGUEIRA, P. ACUTE SKIN FAILURE AND PRESSURE INJURY IN THE PATIENT WITH COVID-19. Estima – Brazilian Journal of Enterostomal Therapy, [S. l.], v. 19, 2021. Disponível em: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/1007. Acesso em: 02 may. 2022.
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