Violência contra crianças e adolescentes

Vigilância Epidemiológica nos hospitais Nossa Senhora da Conceição e Criança Conceição

Autores

Palavras-chave:

vigilância epidemiológica, violência interpessoal, suicídio, tentativa de suicídio

Resumo

A notificação de violência interpessoal (IP) e autoprovocada (AP) é compulsória em todos os serviços de saúde públicos e privados no Brasil. Tentativas de suicídio e violência sexual devem ser notificados imediatamente. Este trabalho apresenta a situação dos casos de violência IP e AP atendidos no Hospital Conceição (HNSC) e da Criança Conceição (HCC) entre 01/01/2012 e 31/07/2023. Do total de 10.639 casos de violência IP e/ou AP, foi feita análise descritiva selecionando crianças (0-9 anos) e adolescentes (10-19 anos) notificados (80,6%). Embora a maior parte da população estudada fosse da raça branca (80,1%), a taxa de violência para negros e pardos foi quase o dobro. Do total incluído, 68,3% eram crianças e 31,7% adolescentes; 55,3% do sexo feminino e 44,7% do masculino. Até os 9 anos, houve predomínio de casos contra meninos (53,1%); na adolescência, as meninas foram as mais acometidas (73,5%). Em crianças predominou negligência e abandono (93,9%) como tipo de agressão, seguida de sexual (3,5%) e física (2,8%) e psicológica (2,8%). Em adolescentes, a violência AP atingiu 40,6%, seguida por negligência (35,8%), sexual (13,7%) e psicológica (12,7%). As crianças de 6-9 anos sofreram mais violência sexual, psicológica e autoprovocada do que as de 0-5 anos. Nos adolescentes com 15 anos ou mais prevaleceram as lesões AP. As mães constituíram a maioria dos agressores para crianças (83,5%) e adolescentes (53,1%), seguidas do pai (22,8% e 16,7%, respectivamente). No período estudado aumentaram as notificações de violências contra crianças e adolescentes. Com o início da pandemia, houve nítida diminuição. É fundamental que trabalhadores e gestores da saúde ofereçam atenção integral e abordagem ampliada a outras circunstâncias além de doenças manifestas pelas crianças e adolescentes à sua frente. A notificação é uma importante ferramenta para estabelecer a rede de cuidado para a quebra de ciclos de agressão a esta população vulnerável.

Biografia do Autor

Ananyr Porto Fajardo , PPGATSUS GHC

Doutora em Educação, Mestre em Odontologia, Odontóloga (UFRGS). Integrante do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Docente Permanente do Mestrado Profissional em Avaliação de Tecnologias para o SUS do GHC.

Ivana Rosângela Santos Varella, Hospital Nossa Senhora da Conceição

Doutora em Epidemiologia (UFRGS). Pediatra e Neonatologista. Responsável técnica pelo Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição.

Irma Rossa, Hospital Nossa Senhora da Conceição

Doutora e Mestre em Clínica Médica (UFRGS), Médica (UFPel). Integrante do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição.

Publicado

2024-02-23

Como Citar

PORTO FAJARDO , A.; ROSÂNGELA SANTOS VARELLA, I.; ROSSA, I. Violência contra crianças e adolescentes: Vigilância Epidemiológica nos hospitais Nossa Senhora da Conceição e Criança Conceição. Cadernos de Ensino e Pesquisa em Saúde, v. 4, n. Sup. 01, p. 01-02, 23 fev. 2024.