Características clínicas e morbidade associadas à doença coronavírus 2019 em uma série de pacientes na região metropolitana de Porto Alegre
Palavras-chave:
coronavírus, sars-cov-2, comorbidade, características clínicas, BrasilResumo
Introdução: Identificar características clínicas, fatores de risco, condições comórbidas e complicações advindas da infecção por SARS-CoV-2 é importante para prever a progressão da doença entre os indivíduos hospitalizados para possibilitar intervenções rápidas e prevenir fatalidades. Objetivo: Caracterização epidemiológica dos pacientes internados com Covid-19 em um hospital terciário do sul do Brasil. Metodologia: Estudo transversal de 664 pacientes consecutivos com COVID-19 internados e avaliados no Hospital Nossa Senhora da Conceição entre março e maio de 2020. Resultados: A idade média dos pacientes foi 57.4 anos, 64% eram oriundos de Porto Alegre e 36% da região metropolitana, 52.3% eram homens e a maioria tinha pelo menos 1 comorbidade. A doença se apresentou inicialmente de diversas formas, sendo as mais frequentes: febre (56.9%), tosse (62%), dispneia (65.1%), mialgias (33%), fadiga e mal- estar (23.6%). Das comorbidades com maior risco para desfecho óbitos, identificamos: doença cardíaca não hipertensiva (OR: 1.513; IC 1.1-2.0), hipertensão arterial sistêmica (OR: 1.492; IC 1.0–2.0) e neoplasia maligna (OR: 2.606; IC 1.9–3.5), permanecendo com significância estatística (valor p<0.05) em análise multivariada. Ao estratificarmos os pacientes por unidade de cuidado, observamos uma frequência de 40.4% de óbito (114/284) entre aqueles que necessitaram de UTI e 9.2% (35/380) entre aqueles que permaneceram com cuidado em unidade de internação clínica (OR: 4.35 (IC: 3.0 – 6.1), valor de p<0.001). Conclusões: Neste estudo de pacientes com COVID-19 na região metropolitana de Porto Alegre, a apresentação clínica inicial foi bastante variada. Uma alta proporção necessitou de internação em unidade de terapia intensiva e ventilação mecânica invasiva com um risco 4,3 vezes de óbito em relação àqueles que apenas necessitaram de cuidados em unidades de internação clínica. Os pacientes com comorbidades cardiovasculares e neoplásicas malignas também estavam em maior risco de óbito.
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