O espelho de Van Gogh

uma análise do funcionamento mental na criação artística

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/269776.1.4-7

Palavras-chave:

Van Gogh, criação artística, melancolia, identificação

Resumo

O presente ensaio almeja estabelecer uma discussão teórica pautada pela hipótese de identificação entre pintor e modelo, identificação essa que pode repercutir em aspectos importantes na interface existente entre o funcionamento mental e o processo criativo. Vincent Van Gogh pintou dois retratos do médico Paul-Ferdinand Gachet em 1890, nos quais a tristeza do personagem é expressiva. O estado afetivo, depreendido nas pinturas analisadas, pode ser entendido como um movimento de transferência e sublimação da própria tristeza do pintor, uma vez que ele experimentou diversos episódios de depressão ao longo da vida. Além disso, considera-se a identificação como um mecanismo psicológico subjacente ao processo de criação, ou seja, é elemento significativo para o efeito estético, para a impressão final que as obras despertam no observador.

Biografia do Autor

Pablo Merlo Medeiros, Hospital Nossa Senhora da Conceição - GHC

Médico psiquiatra (Hospital Nossa Senhora da Conceição - GHC), especialista em preceptoria médica (Hospital Alemão Oswaldo Cruz). Coordenador do serviço de psiquiatria do HNSC, psiquiatra da Unidade de Internação Psiquiátrica – HNSC.

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Publicado

2024-07-29

Como Citar

MERLO MEDEIROS, P. O espelho de Van Gogh: uma análise do funcionamento mental na criação artística. Cadernos de Ensino e Pesquisa em Saúde, v. 4, n. 01, p. 90-98, 29 jul. 2024.

Edição

Seção

Diálogos com a Sociedade