Tuberculose na população privada de liberdade em comparação à população geral

estudo observacional na região norte do Rio Grande do Sul

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/269776.5.1-3

Palavras-chave:

tuberculose, prisioneiros, populações vulneráveis, perfil epidemiológico, indicadores

Resumo

Objetivo: Apresentar o perfil epidemiológico da tuberculose na população privada de liberdade em comparação com a população geral. Métodos: Estudo descritivo dos indicadores de tuberculose entre residentes da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) da Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Rio Grande do Sul (RS), comparando os resultados entre a população privada de liberdade e a população geral, nos anos de 2022 e 2023. Resultados: Na região investigada, no ano de 2022, foram registrados 35 casos novos de tuberculose de todos as formas (pulmonar, pulmonar + extrapulmonar e extrapulmonar) com uma incidência de 17,5 a cada 100 mil habitantes. Em 2023, o número subiu para 46 casos, com incidência de 23,0 a cada 100 mil habitantes. A população privada de liberdade representou 11,4% e 37,0% dos casos novos de tuberculose em 2022 e 2023, respectivamente. As taxas de confirmação laboratorial da tuberculose pulmonar foram de 40,8% e 54,3% na população em geral, enquanto que na população privada de liberdade foram de 100% e 58,8% nos anos de 2022 e 2023. Indicadores de coinfecção tuberculose-HIV, tratamento diretamente observado e investigação de contatos foram satisfatórios em ambas as populações. A cura foi observada na população geral em 21(60,0%) e 27(58,7%), enquanto que na população privada de liberdade foi de 2(50,0%) e 13(76,5%) dos casos, nos anos de 2022 e 2023 respectivamente. Conclusão: Houve aumento na incidência de tuberculose na população em geral e um aumento um pouco maior na população privada de liberdade, quando comparados os anos de 2022 e 2023. Além disso, foram identificadas baixa confirmação laboratorial da tuberculose na população em geral em ambos os períodos, e na população privada de liberdade no ano de 2023. É importante ampliar o diagnóstico laboratorial e incentivar medidas de controle da tuberculose especialmente em unidades prisionais.

 

Biografia do Autor

Greici Kelli Tolotti, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Mestre em Saúde da Família pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Programa de Pós-graduação em Saúde da Família - PROFSAÚDE. Especialista em Saúde na 2ª Coordenadoria Regional de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. 

Eliezer Santana Cadona, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões

Acadêmico do Curso de Graduação em Farmácia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus Frederico Westphalen / RS.

Renan Garcia Artus, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Acadêmico do Curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. 

Carine Raquel Blatt, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Doutora em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora Associada da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. 

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Publicado

2025-07-31

Como Citar

TOLOTTI, G. K.; SANTANA CADONA, E.; GARCIA ARTUS, R.; RAQUEL BLATT, C. Tuberculose na população privada de liberdade em comparação à população geral: estudo observacional na região norte do Rio Grande do Sul. Cadernos de Ensino e Pesquisa em Saúde, v. 5, n. Fluxo Contínuo, p. e456, 31 jul. 2025.