Implicações subjetivas acerca da finitude em pacientes oncológicos
relato de experiência à luz da psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.29327/269776.2.2-15Palavras-chave:
morte, finitude, angústiaResumo
O diagnóstico de câncer possui uma representação social negativa associada ao horror da morte, por ser ainda considerada uma enfermidade fatal. Ao longo da experiência de escuta analítica nos atendimentos em um Programa de Residência Multiprofissional em Psicologia de um hospital geral, pacientes oncológicos em tratamento paliativo trazem impasses diante do encontro com o fim de vida. O objetivo deste trabalho foi refletir sobre a finitude através de um relato de experiência com referencial psicanalítico a contribuir aos pacientes, aos familiares, à equipe de saúde e ao praticante da psicanálise possibilidades de saídas e de cuidados paliativos. Para isso, realizou-se um estudo teórico a partir de uma revisão na literatura, articulada ao relato de experiência. Conclui-se que na medida em que o analista escuta as angústias do paciente em torno da morte, pelo método de associação livre, este se questiona sobre os feitos em sua vida. Pensando em cuidados paliativos, tal saber sobre a própria morte oportuniza ao paciente assumir uma postura sobre o próprio desejo, a escolha de sua história até o fim, conferindo conforto e alívio ao seu sofrimento, bem como dos familiares e da equipe multidisciplinar.
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